O FIQ acabou. Segundo os organizadores o evento teve mais de 35 mil visitantes em 7 dias, número recorde pro festival que completa 10 anos de existência em BH.
Um ponto alto do evento foi a oficina com Giancarlo Berardi, roterista de Ken Parker, Julia, Giuli Bai & Co. e Tom's bar. O autor contou que a partir de 1974 renovou a maneira de contar quadrinhos abolindo as legendas e propondo una narrativa mais cinematográfica, junto a autores como Hugo Pratt, cujo personagem Corto Maltese foi criado justamente em Genova, cidade natal de Berardi. Durante cerca de dez anos Berardi renunciou às cervejas com os amigos e às saídas com a namorada para se dedicar à leitura, tendo lido um livro a cada noite. Graças a esta opção hoje o autor consegue produzir até 12 histórias simultaneamente.
Ken Parker começou como um episódio único (Lungo Fucile), pedido pelo Bonelli. Deu certo e a série continuou, mas os autores tiveram que tirar a barba do protagonista para rejuvenecer o personagem. Sobre a relação com o editor contou um caso: Bonelli pedia sempre um esboço do roteiro antes de liberar a produção. Berardi porém não utiliza este processo: inventa um pedaço da história a cada dia, ficando livre para aumentar ou diminuir o papel dos personagens e mantendo vivo seu interesse pela história (e consequentemente o do leitor). Assim as histórias prontas eram sempre diferentes do script e após uns quatro número Bonelli teve que desistir de cobrar o enredo e deixou livre o roterista.
Á inevitável pergunta 'Ken Parker terá continuação' o autor disse que só no dia em que um editor colocará o braço sobre seus ombros e dirá 'quantos episódios faltam? Cinco? Dez? Pode mandar ver, independente se vender ou não'. A série Ken Parker já foi interrompida duas vezes, no número 59 da primeira edição da Bonelli, devido à incompatibilidade entre os ritmos de produção da editora e a qualidade exigida pelo autor, e após 36 números do Ken Parker Magazine, experiência editorial até certo momento encabeçada pelos próprios Berardi e Milazzo com outro sócio (em seguida continuou com o apoio da Bonelli). Berardi disse que tentou vender o projeto em diversos países da Europa sem sucesso, inclusive pela incompatibilidade do traço expressionista de Milazzo com a predileção generalizada no velho continente pela linha clara característica da França.
Hoje Berardi trabalha com dois assistentes num escritório em Genova. Entre seus desenhistas preferidos indicou Trevisan, a jovem Laura Zuccheri e - naturalmente - Milazzo. O autor disse querer ajudar os jovens a correr atrás dos próprios sonhos. 'Os jovens deveriam ter em si a cintila da revolta' e não satisfazer-se apenas com a tecnologia e o baixo nível da mídia. Citando John Ford disse que 'entre a lenda e a realidade prefere contar a lenda'. A realidade do velho oeste não tinha graça: os pistoleiros fediam, atiravam pelas costas a um metro de distância e carregavam o revolver na cueca, o que acabava por gerar uma série de acidentes pouco ortodoxos... Durante o encontro Berardi foi disponível e consistente, brincou e promoveu reflexões, manifestando acreditar nos valores humanos pelos quais é bem conhecido entre os leitores.
Mostrando postagens com marcador FIQ 5. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador FIQ 5. Mostrar todas as postagens
23 outubro 2007
21 outubro 2007
FIQ - Berardi e Sampayo
19 outubro 2007
FIQ - lançamento graffiti 16
18 outubro 2007
FIQ- as fotos
Assinar:
Postagens (Atom)