

Os jovens estão mais estúpidos porque o que lêem é uma merda, ou o que os jovens lêem é uma merda porque eles estão mais estúpidos?
A resposta talvez possa ser obtida com mais esta pérola editorial, "Luluzinha Teen", da Ediouro (que, não sei porque, estava melhor quando fazia apenas revistas de caça-palavras).
Luluzinha, uma das mais inventivas e extraordinárias personagens dos quadrinhos, foi vomitada em versão mangá adolescente, com direito a participação da cantora Pitty nas páginas da revista. O que diriam Marge, sua criadora, e John Stanley, que eternizou a personagem, criando todo o seu universo lúdico e fantástico, e que alimentou a imaginação de várias gerações de crianças e jovens, se vissem esta baboseira?
Dentre outras atrocidades, em "Luluzinha Teen" a personagem abandona seu caráter, sua roupa, seu jeito de se vestir e sua alma. Passa a falar e agir como se estivesse no seriado Malhação. Deixa de ser uma menina inteligente e pura e se torna uma adolescente emburrecida pela televisão, pela internet e pelos novos tempos. Com sua amiga Aninha a situação é pior: ela é uma "geek". O perspicaz, gordo e comilão Bolinha, co-protagonista da série, torna-se um playboy magro e vazio. Certamente daqueles que vão à boate surrar os outros.
Onde estão as bruxas Alceia e Memeia? E seu Miguel, o caça-gazeteiros? E o Vovô Fracolino? E o clube dos meninos, onde menina não entra? Onde estão a essência e a originalidade da história? Para quê mexer em obra de arte?