13 dezembro 2007

O Primeiro Dia do Guazzelli


Eis a capa do outro álbum do Guazzelli, a ser lançado junto com O Relógio Insano, na HQ Mix Livraria, em São Paulo.

Será bom? Com certeza! Parabéns ao Guazzelli, que anda com uma produção cada vez mais intensa.

Depois destes dois álbuns, aguardamos o próximo volume da coleção Cidades Ilustradas, também da Casa 21. "Florianópolis"... do Guazzelli!

11 dezembro 2007

Guazzelli


Estão todos convidados para o sensacional lançamento de dois álbuns do grande artista (e gaúcho) Eloar Guazzelli: O Relógio Insano, segundo volume da Coleção 100% Quadrinhos, pela Graffiti, e O Primeiro Dia, pela Casa 21.
Sábado, dia 15 de dezembro às 19h,
na HQ Mix LIvraria, em São Paulo (Praça Roosevelt 142)!

29 novembro 2007

Graffiti e sua distribuição mambembe

Comentário sobre onde encontrar para comprar a Graffiti, hoje na comunidade do orkut:

"nacional??????? a Graffiti é rural, mas se você quiser, acha no rio, em sp e em mais um ou dois lugares do brasil (viva as parcerias).

Mas o quente mesmo é aqui em casa, o depósito!!!!"

Comentário feito por Rafael, que é também um dos ilustres editores do prestigioso magazine em questão.

25 novembro 2007

Dez anos atras o Estudio HQ


Em 1997 os quadrinistas de Belo Horizonte se juntaram no Estúdio HQ. A iniciativa coincidiu com a chegada da Bienal na cidade, evento que contribuiu para consolidar a produção de quadrinhos mineira. O estúdio continuou até 1999, com produção de eventos, cursos de HQ e muita cerveja. Aos poucos cada um seguiu seu caminho, mas a maioria dos participantes continua na ativa até hoje em grupos como Graffiti, Big Jack, Casa dos Quadrinhos e EmComum.
No desenho de Vilmar aparecem, de trás para frente: Vitor Garcia, Marcos Malafaia, Laz, Fernando Rabelo, Carlos, Cris Bolson, Rafael Soares, Vilmar, Amauri, Erick Azevedo, André, Sidney Teles, Piero, Fabiano, Denise e Braulio.

20 novembro 2007

Alves come premios


Evandro Alves, colaborador da Graffiti, é um dos maiores ganhadores de salões de humor Brasil afora dos últimos tempos. Desta vez, ele venceu o Salão de Paraguaçu Paulista (interior de SP), na categoria tiras.

Acho, realmente, que é nas tiras que o Alves mais se destaca. Anos atrás, ele fazia todo mundo rir com "Gronk", tira diária que saía, se não me engano, no Estado de Minas.

As tiras ganhadoras no Salão de Paraguaçu Paulista foram do personagem Sir Manoel, paródia dos cavaleiros medievais.
Para ver as outras tiras vencedoras do Alves, e também todos os premiados e classificados do Salão, clique:
www.salaodehumordeparaguacu.com.br/premiados.php

05 novembro 2007

GRF 16: Lancamento em SP

A graffiti 16 será lançada neste sábado em São Paulo na livraria HQ MIX, a partir das 19 h. Além do quadrinista e editor Fabiano Barroso devem participar do evento colaboradores paulistas da revista como Daniel Caballero, autor da capa deste numero, Eloar Guazzelli, que acaba de lançar no FIQ 'O Relógio Insano', segundo número da coleção 100% quadrinhos e que prepara lançamento em SP para dezembro, Marcelo D'Salete, que estréia nesta edição da revista e Sylvio Ayala, contato direto da graffiti para a capital paulista. Para quêm ainda não conhece o novo espaço dedicado aos quadrinhos gestido pelo Gual fica na Praça Roosvelt Nº 142 - Centro

26 outubro 2007

Nosso chapa em Roma





Daniel Caballero, colaborador da Graffiti e autor da capa do ultimo número, andou fazendo barulho na capital italiana nestes últimos dias. Ele foi um dos artistas a participar da mostra Metrópoles - seus receptáculos e seus receptores, que integrou o Festival de Cinema de Roma.

Dentro do histórico edifício GIL, Caballero reproduziu uma favela. Acima, algumas fotos.

23 outubro 2007

A oficina com Berardi no FIQ

O FIQ acabou. Segundo os organizadores o evento teve mais de 35 mil visitantes em 7 dias, número recorde pro festival que completa 10 anos de existência em BH.

Um ponto alto do evento foi a oficina com Giancarlo Berardi, roterista de Ken Parker, Julia, Giuli Bai & Co. e Tom's bar. O autor contou que a partir de 1974 renovou a maneira de contar quadrinhos abolindo as legendas e propondo una narrativa mais cinematográfica, junto a autores como Hugo Pratt, cujo personagem Corto Maltese foi criado justamente em Genova, cidade natal de Berardi. Durante cerca de dez anos Berardi renunciou às cervejas com os amigos e às saídas com a namorada para se dedicar à leitura, tendo lido um livro a cada noite. Graças a esta opção hoje o autor consegue produzir até 12 histórias simultaneamente.

Ken Parker começou como um episódio único (Lungo Fucile), pedido pelo Bonelli. Deu certo e a série continuou, mas os autores tiveram que tirar a barba do protagonista para rejuvenecer o personagem. Sobre a relação com o editor contou um caso: Bonelli pedia sempre um esboço do roteiro antes de liberar a produção. Berardi porém não utiliza este processo: inventa um pedaço da história a cada dia, ficando livre para aumentar ou diminuir o papel dos personagens e mantendo vivo seu interesse pela história (e consequentemente o do leitor). Assim as histórias prontas eram sempre diferentes do script e após uns quatro número Bonelli teve que desistir de cobrar o enredo e deixou livre o roterista.

Á inevitável pergunta 'Ken Parker terá continuação' o autor disse que só no dia em que um editor colocará o braço sobre seus ombros e dirá 'quantos episódios faltam? Cinco? Dez? Pode mandar ver, independente se vender ou não'. A série Ken Parker já foi interrompida duas vezes, no número 59 da primeira edição da Bonelli, devido à incompatibilidade entre os ritmos de produção da editora e a qualidade exigida pelo autor, e após 36 números do Ken Parker Magazine, experiência editorial até certo momento encabeçada pelos próprios Berardi e Milazzo com outro sócio (em seguida continuou com o apoio da Bonelli). Berardi disse que tentou vender o projeto em diversos países da Europa sem sucesso, inclusive pela incompatibilidade do traço expressionista de Milazzo com a predileção generalizada no velho continente pela linha clara característica da França.

Hoje Berardi trabalha com dois assistentes num escritório em Genova. Entre seus desenhistas preferidos indicou Trevisan, a jovem Laura Zuccheri e - naturalmente - Milazzo. O autor disse querer ajudar os jovens a correr atrás dos próprios sonhos. 'Os jovens deveriam ter em si a cintila da revolta' e não satisfazer-se apenas com a tecnologia e o baixo nível da mídia. Citando John Ford disse que 'entre a lenda e a realidade prefere contar a lenda'. A realidade do velho oeste não tinha graça: os pistoleiros fediam, atiravam pelas costas a um metro de distância e carregavam o revolver na cueca, o que acabava por gerar uma série de acidentes pouco ortodoxos... Durante o encontro Berardi foi disponível e consistente, brincou e promoveu reflexões, manifestando acreditar nos valores humanos pelos quais é bem conhecido entre os leitores.

21 outubro 2007

FIQ - Berardi e Sampayo

Alves, Ed e Bueno ontem no FIQ.
Giancarlo Berardi conversa com participantes após sua oficina de roteiro. Sonia Luyten, Sidney Guzman, Guazzelli, osGemeos e Juan Saénz Valente estavam entre os mais de 30 participantes. O encontro foi ótimo, Berardi falou por mais de 2 hóras sobre seu metodo de trabalho divertindo e promovendo reflexões sobre a transformação e o conteúdo dos quadrinhos nos ultimo 30 anos.
Produção de hq coletiva no estande durou a tarde inteira.
Emanuele Landi, Berardi e Patati na palestra de ontem com...
... Carlos Sapayo

19 outubro 2007

FIQ - lançamento graffiti 16

Sonia Luyten, Guazzelli, Pablo, Rafael, Fabiano e Braulio no estande
Rafael, Fabiano, Ed, Fabio Zimbres, Braulio e Pablo.

FIQ - Oficina de Fanzine com Sylvio Ayala


18 outubro 2007

FIQ- as fotos



Panorâmica da Serraria Souza Pinto e bate papo com Juan Saénz Valente e Domingo Mandrafina, entrevistados por Fabiano Barroso ontem à noite.

12 outubro 2007

Guazzelli


Conclui nossa resenha das 11 histórias desta graffiti Eloar Guazzelli, com Midia Trainning. O autor gaúcho assina também o segundo número da série 100% quadrinhos da graffiti com o àlbum 'O relógio insano', que será lançado na próxima quarta feira no FIQ.

10 outubro 2007

Lelis


A outra história colorida da edição, Dulce, é nada mais nada menos que do próprio Marcelo Lelis

09 outubro 2007

Caballero


Além da história colorida Bang! Bang! Daniel Caballero assina a capa desta Graffiti 16.

Odyr


Após uma participação na Graffiti 13 Odyr volta a publicar na revista com 'Exercício n. 26'. A rápida evolução do traço entre os dois trabalhos surprendeu a redação.

08 outubro 2007

Andrea Bruno e Giacomo Monti



Os outros autores italianos desta edição são ligados a Canicola, grupo que promove uma revista com uma linha editorial experimental comentada pelo Fabiano em julho (c'é l'avanguardia a fumetti?)
http://graffiti76.blogspot.com/2007/07/c-lavanguardia-fumetti.html

Ercole


A Graffiti 16 será (é) bilíngue: português-italiano e hospeda alguns autores ligados á produção independente de lá. Maurizio Ercole, autor da hq Seryal Toys fala do underground numa entrevista para o encarte desta edição.

07 outubro 2007

Srbek e Laz Muniz


A graffiti finalmente publica roteiro de Wellington Srbek que, com Laz Muniz (desenhos), apresenta um mito indígena: 'Ciranda coraci'

Graffiti16: Andre Diniz


Outro autor que estréia neste número da Graffiti é o veterano André Diniz, da Editora Nona Arte, com a história 'De pai para filho'.

06 outubro 2007

Graffiti16: Azevedo e D'Salete


A 10 dias da abertura do FIQ começamos a apresentar as histórias que compõem a edição de n. 16 da Graffiti. Neste número são 6 os autores que aparecem pela primeira vez na revista, como no caso de Bruno Azevedo e Marcelo D'Salete, com a história "Arado"

05 outubro 2007

O Relogio Insano


Eloar Guazzelli: O Relógio Insano
O segundo número da série 100% quadrinhos está a caminho do FIQ...

10 setembro 2007

Anteprima


Aí vai um quadro da história que vou apresentar para Graffiti 16 (sim, está a caminho...). É o primeiro episódio de uma série ambientada no século XII, um período histórico muito rico (é só pensar em Dante, São Francisco, Giotto, os templarios, os heréticos, a inquisição....) e pouco explorado pelos quadrinhos. Esta HQ marca também minha volta aos roteiros. Desde a número 8, com Tupac Amaru, não apresentava à Graffiti uma história com argumento e textos meus. Acredito que minha parceria com outros roteristas e argumentistas (principalmente Fabiano) tenha ajudado bastante...

05 setembro 2007

Mutarelli no cinema de novo

Acabo de saber (através do Neorama dos Quadrinhos) que o Diomedes vai virar gente.

Quer dizer, mais uma obra do quadrinista e escritor Lourenço Mutarelli vai ser adaptada para cinema. Desta vez, será O Dobro de Cinco, o primeiro dos quatro volumes da saga do impagável e carismático detetive Diomedes.

Para mim, estes quatro volumes formam não só a melhor coisa que o Mutarelli já fez, como devem constar entre as melhores obras da história do quadrinho nacional.

Ainda segundo o Neorama (neorama.com.br), Cacá Carvalho, grande ator do teatro e da TV, será o intérprete de Diomedes.

Uma dúvida, porém: será que a idéia é adaptar apenas O Dobro de Cinco (onde a trama, embora autoconcludente, apenas se inicia), ou a pretensão é já por uma série também no cinema, a exemplo dos blockbusters hollywoodianos?

02 setembro 2007

Tintim e os nossos tempos (2)


Complementando as ótimas considerações do Fabiano (neste blog no post de julho) sobre a ação judicial apresentada na Belgica contra a história Tintim no Congo, o site italiano www.afnews.info informa que a mesma ação foi inoltrada (e refutada) na Suécia. Para os interessados, o site traz um link onde é possível descarregar a versão pdf desta controversa HQ do Hergé: http://www.amazon.fr/exec/obidos/ASIN/2203001011/ref=ase_afnews-21/402-7967829-3466556

01 setembro 2007

Variaçoes sobre duas cores

Há uma escola francesa que sugere um emprego racional da cor na produção dos quadrinhos. É o seguinte: o ponto de partida são as cores primárias: amarelo, magenta, ciano e suas combinações percentuais. Exemplo: se para colorir uma página decido utilizar uma cor laranja, composta de 30% magenta e 70% amarelo, para complementar esta cor utilizarei um roxo composto de 30% magenta e 70% ciano (ou então um verde com 30% ciano e 70% amarelo). Os outros tons a serem utilizados serão uma combinação destas cores (p.ex. 10% laranja e 90% roxo, ou 40% laranja e 60% roxo...) e suas combinações graduais com branco ou preto. Taí uma forma símples de utilizar duas cores complementares para colorir nossas HQ's sem criar dissonância. Uma apresentação mais extensa e ilustrada desta técnica pode ser procurada nas postagens de junho do blog http://specasilvio.blogspot.com/

O direito de errar


'Os jovens têm o dever de errar'
Corto Maltese: MU

'Se eu erro entendo que sou, pois aquele que não é não pode errar e, pelo fato que erro, sinto que sou.'
Santo Agostinho.

Entre as considerações sobre o papel do educador na sala de aula elaborei, sempre para o Projeto Para Jovens, a seguinte reflexão:
As palavras que a criança mais ouve são 'não', 'não pode', 'isto não se faz'. Se deixamos uma crianças brincar com nossos livros, após ter rasgado algumas capas até um neném de poucos meses pode se tornar perito no manuseio de uma publicação. Porque não convidarmos, então, as crianças para ajudar na cozinha ou lavar roupa? Mesmo que isso seja mais empenhativo para a gente (evidentemente precisamos monitorar algumas experiências), um prato sujo não se compara a um exercício que pode ser significativo na vida. Para um desenvolvimento saudável do indivíduo precisamos expandir os limites e não impor restrições.

Mesmo assim, na escola, no trabalho e na vida quem erra é penalizado. Numa oficina de arte, porém, o erro pode ser instrumento precioso de aprendizagem. O erro não pode ser ensinado, é uma descoberta individual que implica experiência e desenvolvimento da criatividade na busca de soluções pessoais. O acidente, o imprevisto, o inesperado, exerceram um papel fundamental na história do homem. Estes elementos são o ponto de partida de todas as histórias. O educador deve considerar esta variável como uma alternativa à imposição de um conhecimento presumido, uma possibilidade para experiências que podem resultar numa formação do jovem e do próprio professor.

Errar nos devolve à nossa condição humana e nos livra da perfeição (a tal 'defendida pelo goleiro'), atributo cada vez mais promovido pela industria de consumo através de filtros e maquiagens. Por isso deveríamos ensinar apenas aquilo que verificamos com a nossa experiência pessoal, sabendo que algumas soluções costumam ser válidas apenas numa ocasião.

30 agosto 2007

Identidade e ritos de passagem


Xamã com disfarce animal da gruta de Arriége (FR). Desenho de Didier Comés

Recentemente foi convidado para coordenar as oficinas de artes plásticas do Programa Para Jovens da Fundação Municipal de Cultura de Belo Horizonte. Aí vai minhas primeiras considerações sobre o projeto:

Este ano o percurso temático das oficinas de artes plásticas do PJ deve abranger identidade, medo e prazer. O conceito de identidade, ponto de partida deste itinerário, mudou radicalmente ao longo da história:
"Um homem do século XVI ou XVII ficaria espantado com as exigências de identidade a que nós submetemos com naturalidade. Assim que nossa criança começa a falar, ensinamos-lhes seu nome, o nome dos seus pais e sua idade. Ficamos muito orgulhosos quando Paulinho, ao ser perguntado sobre sua idade, responde corretamente que tem dois anos e meio. De fato, sentimos que é importante que Paulinho não erre: que seria dele se esquecesse sua idade? Na savana africana a idade é ainda uma noção bastante obscura, algo não tão importante a ponto de não poder ser esquecido. Mas em nossas civilizações técnicas, como poderíamos esquecer a data exata de nosso nascimento, (...) se a cada requerimento (...) é sempre preciso recordá-la. Paulinho dará sua idade na escola e logo sará Paulinho N. da turma x. (...) Na idade média o primeiro nome já fora considerado uma designação muito imprecisa, e fui necessário completá-lo por um sobrenome de família, muitas vezes um nome de lugar. O nome pertence ao mundo da fantasia, enquanto o sobrenome pertence ao mundo da tradição. A idade, quantidade legalmente mensurável com uma precisão quase de horas, é produto de um outro mundo, o da exatidão e do número."
Philippe Ariès em História Social da Criança e da família.
Editora Guanabara, Rio de Janeiro, 1981


Este texto foi escrito originalmente nos anos setenta. Hoje deveríamos acrescentar às coordenadas civis de um indivíduo outros números: CPF, INSS, título de eleitor, telefone, celular, sem falar de endereço, e-mail, conta bancária e respectivas senhas... (Não é de se surpreender que a escrita cuneiforme tenha sido inventada pelos sumérios com fins burocráticos)! Se todos estes números contribuem para identificar o cidadão, pouco esclarecem sobre a essência de cada um.

Os jovens que participam das oficinas encontram-se justamente numa fase de construção de identidade que deveria levá-los à inserção no universo dos adultos. Antigamente, mas nem tanto, esta passagem era marcada por rituais que envolviam toda a comunidade e comportavam a ruptura com a referência materna. Durante estes ritos eram utilizadas práticas como jejum, retiro, circuncisão e diversos processos que visavam levar o indivíduo a uma outra percepção de si mesmo e do mundo.

Na nossa sociedade estes ritos desapareceram. Com a escola obrigatória até os dezoito anos o período antigamente definido como infância - idade destinada a uma aprendizagem lúdica - foi valorizado e prolongado. No final deste período, porém, o jovem que não tem a ocasião de realizar uma viagem de mochila ou que não entra para o serviço militar terá menos chances de vivenciar um processo similar àquele proposto nos ritos de passagem, podendo eventualmente buscar situações -inclusive marginais- que atendam à mesma finalidade.

As oficinas de arte do PJ podem desempenhar uma função importante neste sentido, proporcionando experiências sensoriais voltadas para o auto-conhecimento que extrapolem a percepção quotidiana da realidade para que o participante possa descobrir no próprio microcosmo recursos que irão auxiliá-lo na vida.

A arte e a vida (2)

Falei em Peanuts no post anterior, e por isso resolvi dar uma pesquisada sobre a tira e seu autor, Schulz, na internet.

Me deparei com o delicioso site oficial de Charlie Brown e seus amigos: www.snoopy.com.

Completo, contém as melhores e as primeiras tiras de cada personagem, a última - e tocante - página desenhada por Schulz, a história, a cronologia, tudo. Muito bom.

Para fãs e não-fãs.

A arte e a vida


Será lançada, nos EUA, uma grande biografia de Charles Schulz, criador da tira Peanuts (conhecida no Brasil como Snoopy ou, de vez em quando, Charlie Brown). Dizem ser o melhor e mais completo relato já publicado sobre este artista genial.

Para mim, Peanuts é um divisor de águas na história das tiras de jornal.

Primeiro, porque sua força e originalidade resultavam de uma simplicidade ímpar - ao contrário de Krazy Kat e Pogo, por exemplo, que tinham arte e temática bastante sofisticadas. Os traços trêmulos, infantis e inseguros, aliados à singeleza de um mundo dominado por crianças - embora, na maior parte do tempo, elas pensassem como adultos - fazem de Peanuts uma obra extremamente cativante. Importante dizer que seu público sempre foi formado por gente de todas as idades.

E segundo, porque o impacto e a popularidade da tira fizeram de seus personagens garotos-propaganda de uma sorte imensa de itens de consumo, nos mais variados níveis e em todas as partes do mundo. Peanuts fez os quadrinhos mergulharem de cabeça, e definitivamente, no mundo do merchandising. Se isso foi bom ou não é um outro assunto. O fato é que, por muitos anos, Schulz foi o criador de quadrinhos que mais ganhou dinheiro com o negócio.

Segundo o Universo HQ (www.universohq.com), o livro, publicado pela editora Harper, se chama "Schulz and Peanuts: A Biography", e sai em outubro. Quem sabe uma editora (conrad?) não se dispõe a traduzi-lo?

29 agosto 2007

Um homem chamado Ken Parker



O italiano Giancarlo Berardi vem ao Festival Internacional de Quadrinhos, em outubro. Alguém pergunta: "E daí? Quem é esse sujeito?" Tem razão. Berardi (infelizmente) não é tão conhecido sequer do público dos quadrinhos.

Bom, Berardi nada mais é do que o criador (juntamente com o desenhista Ivo Millazzo) de um dos personagens mais notáveis da história da HQ: Ken Parker, o anti-herói do faroeste, cujas aventuras foram chamadas certa vez pelo Piero de "western de esquerda".
As histórias de Ken Parker extrapolaram, desde o início, o gênero consagrado pelo cinema americano. Nelas, falou-se de segregação racial, homossexualismo, inclusão social, literatura, teatro... Sem perder de vista, claro, o cerne de uma boa história de western: a Aventura, com direito a duelo, tiroteio, perseguições eletrizantes a cavalo, índios, o Mississipi, o trem de ferro, o assalto à carruagem... Personagens de verdade fizeram parte da história, de Wild Bill Hickock a Buffallo Bill, passando pelo General Custer e por Sitting Bull. Como Corto Maltese (outro ícone da hq italiana), Ken Parker - cuja fisionomia é inspirada em Robert Redford - passeia filosoficamente por nosso mundo, experimentando-o, errando mais do que acertando, em busca de integridade e humanidade, em si próprio e nos que o cercam. Quer herói maior que esse?

A aventura de Ken Parker foi publicada, com interrupções, entre 1977 e 2001 na Itália, em edições mensais, quase sempre pela Bonelli. Sob a justificativa - aceitável - de que era extremamente difícil manter a qualidade de uma história tão longa e com prazos tão apertados, a dupla Berardi-Millazzo decidiu cancelar a série, apesar de aceitar a ajuda de colaboradores ao longo da árdua jornada. Assim, o destino de Ken Parker não teve uma definição, ao menos para nós leitores. No final, Parker, profundamente decepcionado com a sociedade, torna-se um criminoso e um apátrida. Em suas últimas aventuras, o vemos fugindo insistentemente da Justiça, com chances remotas de se redimir.

Por isso, certamente Berardi já tem na ponta da língua a resposta à pergunta que eu lhe farei durante o FIQ: Ken Parker, afinal, termina seus dias como criminoso?

28 agosto 2007

Nilson, 40 anos de carreira


Talvez ele próprio não saiba, mas é isso: o cartunista Nilson Azevedo, criador das hq's Negrim e As Caravelas, e um dos mais talentosos de sua geração, acaba de completar 40 anos de profissão. Em 1967, no suplemento de humor (sim, antes isto existia) do Jornal dos Sports, ele fazia sua estréia, com uma série de cartuns pra lá de ingênuos, mas já apresentando o humor sincero e original que seria sua principal força durante as quatro décadas seguintes (será que ele imaginava?)
A seguir, reproduzo a apresentação do estreante cartunista, então com dezoito anos (me parece claro que esta apresentação foi escrita pelo Ziraldo, que era o editor do suplemento e lançou muitos outros cartunistas - como Miguel Paiva, Mayrink, Ciça..):
“Nilson Sessenta e Sete é de Minas, mais propriamente de uma cidade chamada Raul Soares, cidade essa que nem o pessoal de Raul Soares sabe mais onde fica. Nilson agora está em Belo Horizonte, que é pra lá que mineiro vai primeiro.
Ele se chama Nilson Adelino, mas a gente pensava que ele se chamava Nilson Sessenta e Sete, tal a violência e o vigor com que ele escreve 67 na frente de sua assinatura. Depois é que descobrimos que 67 era o ano do desenho do Nilson que, como se vê, é um jovem que crê na posteridade. Tanto que já vai datando pra quando ficar famoso. É que o Nilson é desses que a gente sabe que ninguém segura e aos dezoito anos se lança aqui no Cartum JS e a gente vai logo avisando pro pessoal guardar bem o nome.
E o ano. Nilson começou em 67!”

A Graffiti teve o prazer e a honra de publicar hq's de Nilson em três oportunidades. O trecho acima é de uma página da série As Caravelas, feita em 1989 e colorida pelo Piero, especialmente para a publicação.

24 agosto 2007

Anos incríveis


Do nosso acervo: o primeiro registro fotográfico disponível dos então imberbes e promissores editores da neonata revista Graffiti: Rafael Soares e Fabiano Barroso.



Foi mal amigos, mas eu tinha que mostrar isso. Trata-se de um período fértil da Graffiti, de idéias e emoções. Da esquerda para a direita, Daniel, Erick Azevedo, Marcos Malafaia, Andrei Goulart e Piero, todos muito felizes.

Personagem misterioso


Caricatura não é exatamente minha especialidade, mas a gente tem que experimentar de tudo na vida, principalmente no Brasil, aonde a profissão de quadrinista não é lá muito rentável... Aí está.

23 agosto 2007

O Ex-Quadrinista



Após longo inverno sem dar as caras por aqui (que blog é esse que ninguém posta nada?) eis que voltamos cheios de vigor, fome e vitalidade (será?), tal qual um urso que sai para fora da caverna depois de hibernar.

Estou trabalhando em uma exposição (espero que não seja segredo, Afonso e Roberto...) para o próximo FIQ, que se realiza em outubro, aqui na Serraria Souza Pinto, em Belo Horizonte. A exposição tem um tema muuuito abrangente: o quadrinho mineiro underground dos anos 70. Você já ouviu falar nele? Talvez não, mas pelo menos um autor tem muita credencial, senão nos quadrinhos, nas artes plásticas com certeza.

Marcos Coelho Benjamim é respeitado, conceituado, premiado, como pintor, gravurista, escultor, autor de formas e conceitos improváveis. Como quadrinista, porém, ele é o "autor que não foi". Promissor, precoce e vencedor do Salão de Piracicaba na época que este ainda engatinhava, no início dos 70, Benjamim era fã de Krazy Kat, Crumb e Batman, e eram estas as suas influências. Mas rapidamente se desvinculou delas, e começou a decolar sozinho, com um quadrinho que, segundo ele próprio, não era político, como muitos de seu tempo, mas simplesmente aéreo, contemplativo, indefinido. Flower power, enfim. E assim foi, publicando ora no Pasquim, ora nas revistas mineiras Uai!! e Meia-Sola, sempre ganhando admiradores cada vez mais atônitos com a envergadura de seu trabalho. E quando todos se preparavam para ver o surgimento do melhor quadrinista da história, eis que Benjamim abandona os quadrinhos! e se torna, como escrito acima, um grande artista plástico.

E aí vem a pergunta (que ele mesmo se faz de vez em quando, eu sei): "O que aconteceria se...?

24 julho 2007

C’é l’Avanguardia a fumetti? (2)


Então, em um exercício rápido, vamos às histórias desta Canicola número dois:
“Brodo di niente” (algo como “Sopa de Nada”), de Andrea Bruno, tem uma arte-final interessante. Grandes manchas de nanquim, como se a página estivesse borrada, criam os desenhos. A atmosfera é etérea, o mundo parece acabar. O personagem passeia por um bordel, pela rua, por um sonho de cemitério.
“L’albero delle scimmie” (“A árvore dos macacos”), de Edo Chieregiato e Michelangelo Setola, é a mais “carina” de todas, diriam os italianos. Ou seja, a mais bonitinha. Não tanto pelos desenhos, sujos e guturais, que recordam animações de Beavis e Butt Head. Mais pela linearidade da história de uma família que passa férias na praia, em meio a uma greve de fabricantes de cigarro - o que torna tudo bem estressante para o pai.
“I Vicini di casa” (“Os vizinhos”), de Giacomo Monti, traz uma aventura cotidiana, por meio de quadros esparsos pela página, criando composições irregulares. Os desenhos, pequeninos dentro dos quadros, criam uma sensação de vazio e solidão. Um sujeito se depara com um gato morto na porta de casa e inicia laboriosa jornada para saber se ele é de alguém do prédio. O resultado é uma reação típica em nossos tempos. Me parece que esta melancólica história se baseia em fatos reais.
“Fas”, de Davide Catania, é uma história sem texto, desenhada com giz de cera, o que confere bastante expressividade à arte. Mais à frente, temos “Nefas”, do mesmo autor, e que parece conversar com a anterior.
“Baobab”, de Amanda Vähämäki, a mais bela história de Canicola, tem narrativa apátrida, fora do tempo e do espaço, beirando o surrealismo. Os dois personagens, duas crianças, são senhoras de um mundo irreal. Lá, desdenham de adultos, conversam com gatos, se relacionam. Parece um filme do Kurosawa.

“L’asino e la capra” (“O asno e a cabra”), de Giacomo Nanni, deve tratar-se de uma fábula moderna. Não encontrei nexo - o que talvez signifique que não era mesmo para ser encontrado - e a arte não me seduziu.
“Provino” (“Prova”), de Alessandro Tota, recorda Andrea Pazienza. O autor, provavelmente, é fã e discípulo. Acho, porém, que Pazienza construía histórias meio sem pé nem cabeça porque ele realmente não sabia que fim dar a elas. Era algo original e sincero, ao contrário da obra de Tota.
“Um nome stupido”, história soturna, em grandes quadros, que me lembrou o trabalho do Paulo Barbosa (que publica na Graffiti). Bonita, e encerra o volume.

Depois que fiz este texto, percebi - e acho que deve ser óbvio, ao menos para o público italiano - que as histórias tratam de um tema, ou mais precisamente, de um estado de espírito. Um ritmo. Todas elas têm um mesmo ritmo, uma mesma pulsação. A revista saiu, segundo indica o editorial, no outono. No outono, lentamente, caminhamos para a escuridão do inverno. Tudo a ver com as histórias desta revista. Será que este é o tema, portanto? Outono? Ou será que eu é que encontrei - inventei - esta similaridade casual?

Talvez, ainda, seja esta a “vanguarda” que nos perguntam os editores, no início da revista, em tom desafiador.

C’é l’Avanguardia a fumetti?



É a pergunta que a revista italiana Canicola faz, a seus leitores mas também a si própria, no editorial de seu número dois. Existe vanguarda nos quadrinhos?

Antes de mais nada, é preciso apresentar: a Canicola é uma revista em formato A4, capa em papel ap encorpado, em duas cores, e miolo em ap mais fino, preto e branco. Traz nove histórias, de autores e estilos bastante diferentes entre si. Tudo indica que é uma publicação independente (ocorre lá também).

Agora, à resposta: não sei se existe vanguarda em quadrinhos, até porque o termo (consultei a enciclopédia) tem um significado vasto e irregular. Mas a Canicola é, em todo o caso, uma revista bonita, séria, de quadrinhos elegantes e variados. Há, sim, muito experimentalismo - técnico e narrativo. O resultado é uma publicação bem fora dos padrões comerciais - o que lhe confere, creio, a classificação de “underground”. Acho, entretanto, que os autores - os nove - não têm lá grandes pretensões no sentido de alterar o curso da história - a vanguarda deveria ter, certo? As histórias apenas entretêm, divertem, passam o tempo. Algumas fascinam, pelo acabamento apurado. Ok, de vez em quando fazem refletir.

Pode-se conferir algo mais da revista no site www.canicola.net

17 julho 2007

Tintim e os nossos tempos

Segundo noticiaram diversos blogs e sites de quadrinhos, a Comissão para Igualdade Racial, na Inglaterra, ordenou que as livrarias parem de vender "Tintim no Congo", álbum de estréia do célebre repórter belga, criado por Hergé. (No Brasil, foi publicado com o nome oportuno de "Tintim na África".)

A medida foi desencadeada por um sujeito que, visitando uma livraria com a família, se deparou com o conteúdo do álbum e o denunciou aos balconistas como sendo racista. De fato, a história de "Tintim no Congo" insiste na imagem clássica - sobretudo nos anos 30 - do branco dominante e do nativo ignorante, ingênuo e submisso. Por duas vezes, Hergé e seus editores tiveram de fazer alterações na história.

Duas coisas sobre o Tintim no Congo e sua proibição:
1. Não acho correta a proibição. Ok, pode-se plastificar o álbum, vedando-o, e fazer uma advertência na capa, dizer que o conteúdo do produto traz mensagens colonialistas, subversivas, impróprias, sei lá. Pode-se, também, contextualizar o leitor com uma introdução. A Bélgica, à época, era um país colonialista. O Congo era uma sua colônia, e isso era, senão imoral, perfeitamente aceitável do ponto de vista dos direitos internacionais. Não se trata, com isso, de justificar ou inocentar o autor, Hergé. Mas, à luz dos tempos, Tintim no Congo é hoje uma obra histórica, um documento de época, podendo ser analisada como tal. Existem incontáveis documentos e obras de cunho colonialista, pró-escravagista, fascista, nazista, racista, anti-semita e toda a ordem de amoralidades. Não se deve proibi-los, e sim contextualizá-los devidamente, para que sirvam de objeto de estudo.
2. A obra de Hergé explicita sua posição colonialista perante o mundo. Tintim é um civilizado, um correto, um modelo. A Sildávia, em "O Cetro de Otokar", por exemplo, está prestes a sofrer um golpe de estado. Querem derrubar o rei. E não é que Tintim intervém em favor do rei, em prol de manter a ordem prestabelecida? Não importa, para a história, se o rei é um monarca absoluto, um ditador. Importa apenas que Tintim vai salvar aquela gente do pior. É a mesma coisa com os congoleses: acreditem em Tintim, pois ele vem da Bélgica, país civilizado, avançado, rico. Sigam-no e vocês vão se dar bem. Esse gênero de personagem, que representa ideais e sentimentos de uma inteira nação, ficou conhecido nos quadrinhos como "o herói". Nos comics americanos da época, ele se traduziu na figura do Flash Gordon (1934) - que, ao contrário de Tintim, quer é derrubar o imperador, o maligno Ming (não, seus traços orientais, seu nome, seu quimono, seu bigode afinado e o nome de seu planeta - Mongo - não são mera coincidência). Outros personagens dos comics também trazem estas características: o "Fantasma", de Lee Falk (1936) é o senhor imortal de uma ilha distante, Bengala. Assim como Tintim, ele domina e educa os nativos - no caso, os pigmeus. Tarzan também é o rei branco das selvas. A mensagem de todas estas HQ's, todas clássicas, todas maravilhosas, é sempre a mesma: o mundo está errado, e só o herói poderá consertá-lo. Este mundo pode ser as fictícias Bengala ou Mongo, mas também pode ser um real Congo - e aí reside a diferença da obra de Hergé para os comics, contemporâneos seus. Hergé pecou ao colocar seu nacionalismo colonialista em nosso mundo, palpável e real. Um avião, um trem, ou mesmo um ônibus, separam Tintim do mundo certo e do mundo errado. Os comics, espertamente, expediram o mundo errado para além deste planeta, ou para confins inexplorados e selvagens. Porém, os personagens destes mundos são os mesmos personagens que habitam o Congo, a Sildávia ou a corrupta América de Tintim. Estão apenas disfarçados, travestidos. Por isso, considero um tanto hipócrita condenar Hergé - e somente ele. Os quadrinhos desta época - que é considerada a época de ouro dos quadrinhos - são revestidos de graves e explícitos indícios de nacionalismo exacerbado, e refletem claramente a postura dos países que produziam estes quadrinhos.

Em resumo, eu jamais irei proibir meus filhos de lerem Tintim ou qualquer outro quadrinho. É preciso, apenas, situar o leitor, para que ele não seja levado pela ignorância e pela irracionalidade.

Um Dia no Poppycorn


O album 'Um dia uma morte' foi resenhado ontem por Afonso Rodrigues do site Poppycorn. Reproduzimos abaixo um trecho:

100%Quadrinhos

A produção cultural independente existe para desvincular o produto de um sistema de acesso pelo público repleto de represamentos – a maioria deles ditados pelo mercado – que transformam o conhecimento e usufruto de determinados artistas em um verdadeiro martírio. O Brasil já descobriu este filão alternativo e, em alguns casos, a fórmula se mostra um sucesso: pululam por aí gravadoras de discos e editoras de livros que lançam no mercado uma produção cultural que termina por dar visibilidade a alguns artistas que no “esquemão” não teriam chance alguma, além de ter como linha geral, um respeito profundo à liberdade de criação, dando visibilidade àquilo que foge do padrão comercial. É neste nicho que a idéia das produções independentes se segura, já que permite aos artistas um maior conforto para que aconteçam as rupturas e a renovação das linguagens. É neste formato que a revista Grafitti 76% Quadrinhos, publicada em BH, trabalha desde 1995 e já publicou 16 exemplares com uma interessante amostragem de histórias em quadrinhos alternativas de autoria de artistas brasileiros, juntamente com entrevistas e outros assuntos, tendo sempre um material interessante para oferecer ao público.
Uma coisa é certa no projeto do grupo que coordena apublicação: privilegia-se o criativo. Conheci esta revista quando fui ao 6º. Salão do Livro na capital mineira, e virei um fã. Hoje estou aqui para comentar (e festejar) uma nova frente aberta pelos idealizadores desta publicação: o lançamento da coleção 100%Quadrinhos, uma série de novelas gráficas, que pretende lançar pelo menos dois números anualmente, sempre trazendo HQs produzidas por artistas nacionais.
Leia mais...
http://www.poppycorn.com.br/artigo.php?tid=1593

Um Dia no Bigorna

Leia um trecho da resenha do album Um Dia Uma Morte escrita por Eloyr Pacheco no site Bigorna.net em 13/07/2007

Impecável! Esse é o adjetivo que quero usar para qualificar Um Dia Uma Morte, de Fabiano Barroso e Piero Bagnariol. O álbum (já noticiado aqui) é o primeiro a ser lançado pelo selo Coleção 100% Quadrinhos, da Graffiti 76% Quadrinhos. O selo começa com “os dois pés direitos”! Comecemos pela parte gráfica: o projeto gráfico é requintado, o cuidado foi muito grande. Lombada quadrada, orelhas, capa em papel cartão com laminação fosca, miolo impresso (totalmente em cores) em papel couché... O projeto editorial é objetivo: introdução e vamos logo ao que interessa, a HQ. Créditos no lugar certo e uma quarta capa inteligente, basta.
Leia mais....
http://www.bigorna.net/index.php?secao=lancamentos&id=1184384837

06 julho 2007

Graffiti no UHQ


A Graffiti teve sua edição resenhada hoje no site Universo HQ, por José Oliboni. Reproduzo abaixo o trecho principal da crítica:

[Sinopse: Revista mix com diversas histórias em quadrinhos curtas, além de textos ilustrados e ensaios fotográficos, predominando temas político-sociais, principalmente sobre excluídos.

Positivo/Negativo: A Graffiti é uma revista já com um longo caminho trilhado e que, aparentemente, direciona bem o seu público. Desde a capa, mostra que tem pretensões maiores do que ser mais um título de quadrinhos para os leitores tradicionais.
Com ensaios fotográficos, textos ilustrados muito bem formulados e um forte tom de protesto em todas as HQs, nota-se que a revista quer passar um recado, que tem uma bandeira política (e isso não quer dizer que seja vinculada a algum partido) e deseja mudar a sociedade por meio da arte.
Apesar de toda a pretensão, a edição fica devendo na arte de algumas histórias, como A Curva do Rio e Amar É.... Ao mesmo tempo em que traz outras com um estilo bem formado, de alta qualidade e representatividade, casos de Criança de Domingo, Barroco e Morte Encomendada.
No geral, o nível das histórias é bom, o estilo pessoal de cada artista é bem marcado e, apesar de alguns deles ainda precisarem aprimorar um pouco seus traços, estão bem encaminhados.]


Eu gostaria de comentar esta crítica no próprio Universo HQ, mas o site não oferece este recurso - afinal, não é um blog. Por isso, comento aqui - que o José Oliboni nem ninguém lá do site fique bravo com isso.
Primeiro, sobre a "bandeira política": acho que uma coisa é uma proposta editorial - coisa que toda revista deve ter. Outra, bem diferente, é levantar bandeiras. A Graffiti recebe colaborações dos mais diversos autores, em estilos igualmente desiguais. Esta edição, ao contrário das anteriores, não teve um tema - ou seja, cada autor discorreu sobre o que quis. Em meio a essa profusão, encontramos uma hq de puro humor negro, "Morte Encomendada", do Irrthum, uma adaptação de conto infantil, feita por mim, uma hq em fotos ("Eu Nunca Nasci", a qual, suponho, Oliboni tenha se referido como "ensaio fotográfico"), além de poesia sarcástica ("A Morte do Lidador", de Guazzelli, que lida com velhice, Viagra e morte), delírio visual ("Galfanhus Sidsummus", de Alexandre, e "Barroco", do Caballero) e uma 'homenagem' (não sei se intencional) ao Guimarães Rosa, "A Curva do Rio", do Alves. A única HQ 'de protesto' é "Sai Sangue", de Sylvio Ayala, que para mim mais adota o estilo jornalístico do que propriamente levanta uma bandeira política.

Como dito acima, a Graffiti adota uma postura editorial. Experimentação, busca por novas e diferentes técnicas, liberdade de conteúdo, textos que estimulem o pensamento. Desta proposta saem histórias como "Amar É...", de Guga Schultze, totalmente desenhada via mouse no paintbrush. Ou "A Curva do Rio", que acaba de ganhar um importante prêmio no RS. Eu, sinceramente, se fosse fazer uma crítica sobre uma hq (qualquer hq), tomaria cuidado ao informar meus leitores que "a arte fica devendo". Esta informação, por si só, é subjetiva demais. Se a arte fica devendo, precisamos saber o porquê.

Por fim, uma sugestão: reviews de revistas independentes, como Graffiti, Ragu, ou mesmo a Front, poderiam ter um contato, um site, algo que os leitores podem acessar. Porque a distribuição destas revistas, como se sabe, é limitadíssima...

Bem, estas são somente observações turronas. Em todo o caso, a crítica é válida, fiquei mesmo feliz de ver a Graffiti lá, em meio aos reviews do Universo HQ, que gosto muito. Espero que possamos ter mais edições resenhadas pelo pessoal do site do Gusman (que prometeu uma resenha do Um Dia uma Morte, hein?).

02 julho 2007

Deu no site da Conrad

"A Relíquia de Marcatti é adotada por escola em BH

A bibliotecária Ana Carolina Dias dos Reis, do Colégio INED Lagoa da Pampulha, em Belo Horizonte – MG, adotou a adaptação do quadrinhista Marcatti para o romance A Relíquia de Eça de Queiroz para os alunos do ensino médio da escola. Ana Carolina tomou conhecimento da adaptação pela reportagem publicada no caderno Ilustrada na Folha de S. Paulo.

Fã de quadrinhos desde criança (“meus artistas favoritos são Laerte, Glauco, Angeli e Stan Lee”), Ana Carolina logo viu no livro uma boa maneira de colocar os jovens em contato com os clássicos: “Hoje em dia há muita competição com televisão, internet, iPods e etc. Essa é uma maneira gostosa de conhecer os clássicos, que são desprezados pela linguagem difícil”. Agora o livro faz parte de um projeto da disciplina de português dos alunos do segundo ano do ensino médio do colégio – que já estão se preparando para o vestibular."

22 junho 2007

Salve

Graffiti é cultura, então vamos a ela. Hoje em dia no Brasil muito se fala sobre a "nova safra" de cantores compositores que estão por aí. Uma coisa que penso e acho que deve ser discutida é: qual a importância desses caras? Eles serão lembrados daqui a vinte anos?? Hoje em dia vários amigos celebram esses músicos como se fossem a solução de vários problemas, mas eu, particularmente, não gosto de nenhum. Isso me enche de dúvidas, por exemplo: se eu vivesse há 30 anos, acharia a tropicália o que eu acho hoje? E você? Confesso que alguns têm várias qualidades, inclusive a ponto de se eternizar, mas será que o Lenine será o Caetano da década de 2030? A resposta verdadeira só lá, mas que a curiosidade aguça, aguça. O que mais me incomoda é que vários desses caras forçam a barra para serem eternizados JÁ, isso é muito chato... Muita pretensão, tenham calma meus amigos. Pois tem gente fazendo música muito mais interessante que a deles, mas ninguém conhece. Poderia citar alguns, mas prefiro perguntar: será que o pexbaA [www.pexbaa.com.br] será o novo Mutantes??? Dúvidas que nunca serão respondidas...
abraços
Rafael

15 junho 2007

Melado



Não, esta não é uma receita de sobremesa da minha avó (apesar de que, se fosse, também seria ótimo).

Este é um post sobre Melado, o João Batista Melado, um dos grandes quadrinistas da atualidade. Exagero? Talvez. O tempo dirá, até porque o Melado não é lá um autor tão conhecido. Pelo menos, não com seus quadrinhos. Porque, como chargista, ele já é um veterano de guerra - atualmente, publica no Diário da Tarde, de Belo Horizonte, mas já foi do Estado de Minas, da imprensa sindical e do grande, saudoso, efêmero, Humordaz, durante os anos 70 (você não sabe o que foi o Humordaz? Problema seu).

Ah, e ele foi um dos fundadores da revistinha Uai!!, também no fim dos anos 70. Lá ele publicou suas primeira história em quadrinhos. Porque a segunda foi mesmo na Graffiti. Para ser mais exato, a Graffiti 6, em um já distante ano 2000 (como voa). Lembro-me de ter-lhe dito, do alto da minha empáfia: a história tá ótima, mas o primeiro quadro (o primeiro!) tá confuso. E não é que ele, do alto da sua humildade, mudou? E a história, que já era estupefaciente, ficou ainda mais.

E foi só a primeira. Desde então, ele já publicou umas sete ou nove histórias em quadrinhos, todas na Graffiti, todas impactantes, todas etéreas, meio kurosawa, meio moebius, meio will eisner.

Bom, o Melado não é um quadrinista conhecido, porque a Graffiti também não é lá uma revista conhecida. Agora, ele está produzindo uma HQ longa para o nosso próximo álbum, da série “100% Quadrinhos”. Outro dia, ele nos mandou alguns trechos. Tomo a liberdade de reproduzir aqui um pedaço de uma página. Eu não sei como é a história, mas não precisa. Tomara que, depois do lançamento desse álbum, ele tenha o reconhecimento que merece.

13 junho 2007

Como estão os quadrinhos nacionais?



Vi e li alguns lançamentos recentes de quadrinhos, como Avenida, Quadrinhópole, Tarja Preta, Jukebox, Ragú, Alienz... Existem ainda Gorjeta, Cão, Garagem Hermética, e outros que eu só tive a oportunidade de conhecer pelo nome. Está claro que estes títulos têm em comum o fato de serem publicações independentes nacionais. Alguns, como Ragú, parecem já ter alcançado maturidade gráfica e uma linha editorial definida. Outros, como a paranaense Quadrinhópole, ainda tateiam em um terreno obscuro, carecendo de rumo, que certamente virá, se a revista não acabar antes da hora.
Fato é que todas estas publicações - e mais inúmeras pelo país adentro - fazem parte de um movimento não-declarado, silencioso e crescente, que impera no mercado de quadrinhos. Trata-se do movimento independente, alternativa ao restrito mercado comercial de quadrinhos, por assim dizer, que vive de certezas e prefere não apostar no novo, no alternativo ou no que sai dos padrões tradicionais. Esta preferência pela tradição é, até certo ponto, perfeitamente compreensível quando estamos falando de grandes empresas, cujos chefes prestam contas a chefes maiores ainda. Não dá para arriscar.

Mas também não dá para fechar os olhos para esta interessante novidade, este mar de quadrinhos nacionais que passaram a inundar sites e blogs dedicados ao gênero. Basta olhar o site do Universo HQ, por exemplo: todo dia tem uma ou duas notícias referentes ao quadrinho nacional, o novo quadrinho nacional, este que é independente e que caminha às margens do profissionalismo.

O quê? Às margens? Quer dizer que este não é um quadrinho profissional?

Fato é que os níveis de profissionalismo são tão variáveis quanto a qualidade das revistas - repare que em momento algum usei a nomenclatura “fanzine”, porque nada do que foi citado se enquadra nas características de um. São revistas, cuja qualidade gráfica, e especialmente cujos conteúdos, são bastante diferentes uns dos outros. Não se trata de um gênero, e sim de um segmento.

E como estas revistas sobrevivem, sendo independentes? Como bancar uma tiragem de mil, dois mil exemplares, cuja distribuição mambembe vai render pouco ou nada? Algumas atacam de lei de incentivo. Outras se atêm a um, dois ou três bravos patrocinadores locais. Outras, ainda, vão no peito e na raça mesmo. A continuidade, ou não, do título, vai depender de uma série de fatores, e nenhum está diretamente relacionado às vendas. Uma revista - qualquer revista - só venderá bem se tiver uma agressiva estratégia de publicidade, algo que nenhuma das citadas é capaz de fazer. Por isso, a sobrevivência se dá por outros meios - afinidade de um patrocinador, uma boa defesa do projeto junto às comissões de lei de incentivo, ou mesmo um mecenato pessoal (o famoso “pago para publicar”). Nenhuma destas alternativas é ideal, porém...

Acho extremamente saudável toda esta proliferação de revistas em quadrinhos nacionais. É necessário, entretanto, que elas cheguem às livrarias, às comics shops, aos pontos de venda. O busílis é justamente este: colocar a revista à venda. Não adianta sabermos que a revista existe apenas através dos sites de HQ. É preciso conviver com elas: chegar a uma livraria e encontrar o novo número de uma revista independente. Com tantos editores plenos de vitalidade e boa vontade por aí, seria interessante pensar numa grande rede de distribuição alternativa, uma espécie de mapeamento - tal rede até já funciona, eu sei, mas de forma desorganizada e cartesiana. O processo é lento - quem trabalha com quadrinhos há mais de dez anos como eu sabe bem disso - mas o futuro me parece bem promissor. Assim se forma um mercado - pelo menos é uma boa teoria.

07 junho 2007

Nao era um homicidio


Esta foto que retrata a redação da GRF em 1996 é uma das minhas favoritas. Na época do lançamento da n.2 as reuniões eram lotadas, era tanta gente que alguns nem conseguiam falar... Implacar uma idéia ou apresentar uma proposta de capa era uma verdadeira operação de guerra! Os encontros acabavam quase sempre em festa e a presença de mulheres tornava tudo mais interessante. Nada a ver com os homicídios de hoje, com 4 caras feios e barbudos reunidos na mesa do boteco...